quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A dor o rio a boca o mar o vento eu sigo sorrindo contigo ao meu lado

dói. tem vezes que dói.
e entre sorrisos risos gargalhadas
que fazem doer os músculos do rosto e as mandíbulas
que fazem lacrimejar e por vezes soluçar
dói.

dói e é só triste.

como se houvesse esse peso
que eu trago como mochila
vem comigo desde que sou gente
e cada vez mais
dói

eu largo a mochila no canto
e me doo e me dou e me abro
eu abraço eu sorrio eu quase choro
eu me envolvo na vida e nas vidas
eu vivo e eu nunca vivi antes

e na hora de ir embora
pego a mochila
e dói

tem vezes que dói
e é triste
tem vezes que dói
e a vida segue sem medo
os planos se dissolvem no futuro
e eu também me mergulho ali
esquecendo às vezes dessa
bagagem pra viver o novo

tem vezes que dói e é triste

tem vezes que a vida me leva
e nesse rio sem margens
eu sigo o fluxo
boiando e olhando o céu
de vez em quando lembrando
da minha mochila
que eu esqueci

boiando na correnteza
dissolvendo a dor
e contente porque não é
triste

afinal

se houvesse mochila
carga emocional
peso mental

toneladas de histórias
de culpas de desejos
do meu histórico infâme de histerias
das vezes que feri
das vezes que fui ferido

eu afundaria.

às vezes eu desejo afundar
eu boio olhando o céu infinito
os músculos e a mente descansam por um segundo
e eu não sei se estou pronto ou se não quero mais
porque eu tenho medo

porque sempre dói.
e nem sempre é triste.
mas sempre
dói.

e não há
muita coisa
mais assustadora
que a dor.