Sem saber exatamente o que quero ouvir,
vasculho as minhas pastas.
Numa delas,
encontro o álbum Blue Eyed Blues,
com Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page.
Fico triste...
Como diabos não ouvi isso antes?
Mas logo a tristeza passa.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Armadilha social
Já faz algum tempo que me guardo os textos, as poesias e as palavras soltas. Nesse novo mundo, de informação rápida e tecnologia eficiente (nos limites que lhe cabe elogio), a curiosidade se confunde com o aprendizado e o conhecimento, com a espionagem. Pessoal e público são como figurativo e abstrato, que de longe são bem distintos, mas em alguns pontos se mesclam e se tornam uma coisa só, uma coisa confusa. Hoje eu não sei me expressar via rede social. O que é ideal? O que é exagero? O que é meu e o que é do mundo? O aniversário ou surpresa especial não pode passar batido, dá-lhe foto e um longo e caloroso texto que resume a essência de um amor, seja qual for a classificação deste. Todo mundo tem uma opinião sobre o tema do momento e todo mundo consome informação interessante que valha o compartilhamento.
Eu sou poeta. Sou literato. E quase todos os meus favoritos escritores só obtiveram a essência das suas próprias vidas através de desumana contorção, que sai impressa em tinta e papel ou pixel e tela. É dos poetas as sinceridades deslavadas. Por mim, me esvaziava os sentimentos e as sensações. As impressões e as faltas delas. As verdades e as mentiras. As expectativas e as decepções. Me esvaziava em pura sinceridade literária, com remetentes explícitos em entre linhas, dizendo em alto e bom tom tudo que eu tenho pra dizer pra você. Abria o peito sem esperar reflexo algum, sem nunca imaginar que depois daquele segundo, o do peito aberto, chegaria um próximo. Vomitava o coração naquele eterno último segundo, sem dor nem morte, nem prazer nem vida.
É que eu não sei o que é meu. O que é nosso. Pra mim as histórias nunca têm donos. Têm cheiro, têm sabor, têm cor, têm nome e têm voz. As vezes gritam, as vezes gemem, as vezes choram. Lágrimas sem dono, só com poesia.
Portanto me calo. Guardo-me inteiro como guardião de uma multidão de segredos. Os que contam o teu gosto, os que contam o teu cheiro, os que contam o meu peito. Só pra mim. Batendo asas pra lá em pra cá em intenso furacão.
Pequenos segredos
em forma de borboletas negras
e grandes desejos
como falcões vermelhos,
voando pelos meus órgãos
em sincronia com
os meus dedos
que se batem no ar
fingindo escrever
que preciso de você.
Mastigando a vontade
pra ver o tempo passar.
Eu sou poeta. Sou literato. E quase todos os meus favoritos escritores só obtiveram a essência das suas próprias vidas através de desumana contorção, que sai impressa em tinta e papel ou pixel e tela. É dos poetas as sinceridades deslavadas. Por mim, me esvaziava os sentimentos e as sensações. As impressões e as faltas delas. As verdades e as mentiras. As expectativas e as decepções. Me esvaziava em pura sinceridade literária, com remetentes explícitos em entre linhas, dizendo em alto e bom tom tudo que eu tenho pra dizer pra você. Abria o peito sem esperar reflexo algum, sem nunca imaginar que depois daquele segundo, o do peito aberto, chegaria um próximo. Vomitava o coração naquele eterno último segundo, sem dor nem morte, nem prazer nem vida.
É que eu não sei o que é meu. O que é nosso. Pra mim as histórias nunca têm donos. Têm cheiro, têm sabor, têm cor, têm nome e têm voz. As vezes gritam, as vezes gemem, as vezes choram. Lágrimas sem dono, só com poesia.
Portanto me calo. Guardo-me inteiro como guardião de uma multidão de segredos. Os que contam o teu gosto, os que contam o teu cheiro, os que contam o meu peito. Só pra mim. Batendo asas pra lá em pra cá em intenso furacão.
Pequenos segredos
em forma de borboletas negras
e grandes desejos
como falcões vermelhos,
voando pelos meus órgãos
em sincronia com
os meus dedos
que se batem no ar
fingindo escrever
que preciso de você.
Mastigando a vontade
pra ver o tempo passar.
sábado, 24 de agosto de 2013
(Des)Aceleração
as vezes eu paro
numa frenagem abrupta
que me machuca o corpo
tenho receio de acelerar de novo
a adrenalina
de aumentar
a velocidade
não me seduz
mais
ficar parado
é tão
bom
sabendo que
eu nunca
vou me machucar
de novo
o tédio me aponta os atrasos
os erros
as faltas
eu preciso acelerar
senão o mundo
acaba
sem eu nem
perceber
que preguiça
por mim
dormiria
dias
e
dias
e
dias
de
sonolência
eu bocejo
numa frenagem abrupta
que me machuca o corpo
tenho receio de acelerar de novo
a adrenalina
de aumentar
a velocidade
não me seduz
mais
ficar parado
é tão
bom
sabendo que
eu nunca
vou me machucar
de novo
o tédio me aponta os atrasos
os erros
as faltas
eu preciso acelerar
senão o mundo
acaba
sem eu nem
perceber
que preguiça
por mim
dormiria
dias
e
dias
e
dias
de
sonolência
eu bocejo
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
sábado, 13 de julho de 2013
Eu só queria você
nas minhas insônias
já te chamava
por uma monossílaba
que era o meu jeito
de te chamar
e te amava com
todas as minhas unhas
e todos os meus dentes
feit'um bicho
que cuida do que é dele
mas uma hora o sono vem
o sonho vem
o Sol vem
e o sonho vai
e todo o meu ardente
amor
se acaba em fútil
desejo
já te chamava
por uma monossílaba
que era o meu jeito
de te chamar
e te amava com
todas as minhas unhas
e todos os meus dentes
feit'um bicho
que cuida do que é dele
mas uma hora o sono vem
o sonho vem
o Sol vem
e o sonho vai
e todo o meu ardente
amor
se acaba em fútil
desejo
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