sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Charles Bukowski

"É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa."

Mulheres, de Charles Bukowski

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Romance e poesia

Mariana era um romance de mil e duzentas páginas, por isso demorei 3 anos para lê-la. Era um história completa, cheia de personagens redondos e inimagináveis surpresas. Mariana tinha uma beleza diferente e uma mente diferente. Ela era diferente e a leitura foi bem demorada e muitas vezes entendiante. Um amor que me durou 3 anos, com suas diferentes intensidades, ora precisava desesperadamente lê-la por horas ou dias a fio, ora queria desistir de ler para sempre. Amá-la foi muito complicado.

Amanda
Era poesia.
Com seus
Cabelos
Lisos e
Seu sorriso largo e
Seu lindo corpo.
Era poesia
Que se

Em 30 segundos.
Uma paixão
Intensa
Que acaba tão rápido
Quanto veio.
Amanda é poesia.
Que se

E se
Relê
E se
Apaixona
E se
Reapaixona.
Ela é poesia
E não sai da minha
Cabeça.
Poesia se lê
E se relê
Para o resto
Da vida.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Sonhador

eu seria um idiota
se não me apaixonasse
por você.


eu
seria um babaca
se não quisesse ver
o
s teus olhos nos meus.

eu
seria um ridículo
se não quisesse sentir
o
s teus lábios nos meus.

o
s teus seios
no meu peito.
a tua cintura
no
s meus braços.

mudei, para pior.
ma
s por você eu sou
aquele me
smo ingênuo,
alegremente ignorante,
tolamente confiante.

cabelo
s e sorriso
e lábio
s
e um beijo de canto de boca.
uma
serenata silenciosa.
eu
sorrio, você também.

eu
sou um idiota
e me apaixonei por você.
tolamente confiante
vivendo num mundo
de
sonho.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Porra, que merda

O meu caralho para o mundo.
A porra do meu caralho
Para o meu mundo virgem.

A porra do meu mundo
Cheio de imaginação
E de sonhos
E de amores.

A porra do meu caralho.
Para o meu mundo
Cheio de sedução
E de um beijo na bochecha.

sábado, 15 de janeiro de 2011

O nascer de um sentimento

Amanda era ex paixão do meu melhor amigo. Ele, de certo modo, amava ela. Era uma paixão de alguém que nunca amou, então ele achava que era amor. Pois uma vez nós saímos, eu, Amanda, o melhor amigo e outros amigos nossos. Bebíamos Bacardi Big Apple num posto, Amanda disse: Não deixa eu ficar com ele, tá? Respondi sorridente, completamente bêbado: Só com ele? Ela riu, eu também. Levantamos e fomos abraçados, cruzando passos e capengando até a balada. Acabamos ficando para trás, ela tinha que dar oi a um ex namorado.
Na frente da balada, lhe disse: Manda, eu queria agradecer pela nossa amizade. De todas as minhas amigas, você foi a única que eu nunca tive segundas intenções. É uma amizade pura. Ela sorriu deliciosamente, os olhos de bêbada cerrados me olhando fundo. Mordeu o lábio e disse: Nunca? Eu senti calor, olhei para cima, esperando que Deus me ajudasse. Ah... veja bem... Respondi. Olhei nos olhos dela e simplesmente nos beijamos. Eu estava sendo o pior amigo que meu melhor amigo queria e eu sabia que estava errado, ela não sabia, estava caindo de bêbada, eu era o culpado.

O tempo passou e nós continuávamos a pecar durante as madrugadas quentes dentro do meu carro, embriagados e seduzidos por uma idéia perigosa. Certo dia, nos beijávamos no banco do passageiro e a capa do óculos dela caiu entre os bancos do meu carro. Levei a capa para casa e no dia seguinte, com Amanda na cabeça, abri a capa. A capa era lilás e seu interior era feito de veludo roxo, essas cores eram a cara dela, e o cheiro do perfume dela estava lá dentro, encrustado naquele veludo macio. Pus o nariz ali e respirei fundo, de olhos fechados sendo dominado por uma coisa nova.
Durante os dois dias seguintes, respirei o perfume dela de dentro daquela capa. Aqueles dois dias em que eu não precisava almoçar, ou jantar, ou ir ao banheiro ou tomar banho. Eu precisava sentir o cheiro dela. Era o amor. A primeira vez que eu amava. A única vez que amei. Estava ridiculamente apaixonado, envolvido num namoro proibido e libidinoso. Minhas narinas estavam cheias de amor, do mais puro e completo amor. Eu amava Amanda e meu nariz podia dizer isso para quem ele quisesse.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Psicose

Eu estava na sala, sentindo o tédio pulsando nas minhas veias e me deprimindo com a atuação precária nas novelas da Globo. Ela estava no banho. Eu precisava de alguma coisa, enquanto ela precisava tomar banho. Era pouco depois das 19h, eu já tinha tomado banho e ainda estava bêbado, pois tinha passado a tarde toda entornando copos de cerveja quente. Ela não bebia, mas gostava mais de mim quando eu estava bêbado. Acho que sóbrio eu não era tão carinhoso, ou tão despudorado. Eu podia falar o que vinha na mente e ela realmente gostava quando eu falava do corpo dela. Era isso, eu precisava fazer, ela precisava ouvir. Nosso romance não era um romance, nosso sexo não era sexo e ela estava bem com isso. Beijos nos intervalos das novelas. Eu estava bêbado e de saco cheio. Ela estava tomando banho. Tirei toda minha roupa, dobrei-a e deixei-a em cima do sofá. Entrei no banheiro, que não tinha fechadura, sem bater, ela deu um gritinho de susto. Eu não falei nada, apenas assisti o vulto dela atrás do box fosco. Ela não falou nada, apenas abriu o box. Eu precisava dela. Ela precisava ouvir: Como você tá preta, tua marca de biquini tá deliciosa.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

On The Road

Lá estava eu tentando agir, sentir, evoluir. Num ônibus caindo aos pedaços, lendo Jack Kerouac (On the road, 1957) e sentindo frio no ar condicionado a 18º. Eu precisava provar mais uma coisa pra mim e eu tinha certeza que só provaria o que sabia: Eu não vou sentir. Eu ia sobreviver. É o que eu faço desde que a vida começou. Não há nada demais em sobreviver, todo mundo faz isso todos os dias. Eu imaginei que estava tomando a atitude mais romântica de toda minha vida, quando estava apenas viajando mais uma vez, fugindo da realidade escrota que assola o meu peito impossivelmente vazio. Um vazio que ora dói, ora sara. Era como estar em outra vida, sentindo que os pêlinhos das costas dela que brilhavam com a luz da televisão sentiam alguma coisa. Sentindo que havia sentimento e sentido em tudo. Os olhos fechados, a boca brilhando, ela estava pronta para o meu sentimento. E havia sentimento em tudo, inclusive a revolta dolorida do meu coração. Ele apreensivo, batendo mais forte por esperar bater mais forte. Batendo forte de raiva e decepção. Coração vazio. E das certezas, aprendi com essa trigésima tentativa: pare, Thomas, você não precisa disso...