segunda-feira, 9 de maio de 2011

Rancor

Amanda tinha se mudado havia mais de um ano, mas eu nunca fui visitá-la. Morava com outras cinco garotas, todas não muito bonitas e fanáticas pelo Justin Bieber, vai ver é por isso que nunca a visitei. Pois a casa estava vazia, só Amanda e a casa.
Então nós passamos quase uma semana juntos. Ela queria ir a praia, tomar sol, sair com os amigos. Eu queria ficar embriagado e transar. Pois fizemos o que ela propôs, talvez por eu não ter proposto a minha ideia, ou por eu ser um merdão sem voz. Conheci uns amigos dela, todos bonitos e simpáticos, mas nenhuma amiga. Sempre me dou melhor com mulheres, principalmente amigas de amigas, principalmente quando elas são bonitas. E eu tentei ser simpático. Jogamos sinuca, eu e um amigo dela de dupla, nós ganhamos algumas vezes, rimos. Junto com os amigos, vem as histórias. E as vezes é melhor não conhecer o passado de uma mulher. Ela já tinha pego Deus e o mundo, a boca mais rodada do país, pegou os amigos que estavam conosco. Jogando sinuca, bebendo Heineken e ouvindo as histórias da vagina que eu não estava comendo. Foda-se ela, eu pensei, em algum momento.
A cada dia que passava, nós nos distanciávamos um pouco mais. No primeiro dia, suguei os belíssimos mamilos para dentro da minha boca. No segundo dia, nos esfregamos por debaixo das cobertas. No terceiro dia, nos beijávamos na rua. No quarto não andávamos mais de mãos dadas. Foda-se ela, eu pensei.
Ela entrou num ônibus circular, ia encontrar um dos amigos. Eu beijei a bochecha dela e não esperei ela ir embora. Amanda vestia um óculos escuro e provavelmente não olhava pra mim. Provavelmente pensava que a ideia que ela teve, de me convidar para visitá-la, foi a mais idiota possível. Estava pensando em ir pra praia e se vingar, pegando ou o amigo, ou um argentino, ou um carioca, ou todos eles, um de cada vez ou ao mesmo tempo. Foda-se, pelo menos alguém vai transar, eu pensei.
Sentei na rodoviária e cheguei a brilhante conclusão: Thomas, de agora em diante, você não quer mais transar.

Ficamos eu e Amanda em silêncio. Dias e meses e, se não fosse o meu desconforto e a minha coragem de dar o braço a torcer, anos. Tudo por causa de um rancor inexplicável. Agora falo com ela. Louco por um convite. Louco pela foda desperdiçada. Que merda, tão vulnerável à vagina...